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FAQ

Main »» Fatores pré-analíticos

Table of Contents


Jejum prolongado (superior a 14 horas) interfere nas dosagens hormonais?
O jejum muito prolongado pode alterar as condições fisiológicas,
levando a uma condição de estresse que pode elevar alguns
hormônios como o cortisol e dehidroepiandrosterona. Pode também
levar a valores discretamente mais baixos em alguns hormônios
hipofisários, como o TSH, LH e FSH.
Quais são os hormônios influenciados pelo ritmo circadiano?
Para as variações ditadas por ritmo circadiano, a mais conhecida
e nítida é aquela do sistema ACTH/cortisol, que exige avaliação
cuidadosa do horário de coleta antes da avaliação do resultado.
Outros hormônios adrenais, como a dehidroepiandrosterona (mas não
o seu sulfato) também apresentam ritmo circadiano, assim como
alguns hormônios hipofisários como o TSH e gonadais como a testosterona. De maneira geral, como regra básica para o acompanhamento de um paciente, é muito interessante que qualquer dosagem hormonal seja feita sempre aproximadamente no mesmo horário.
Como interpretar resultados de dosagens hormonais em pacientes sob o efeito de medicações hormonais?
O uso de medicações hormonais traz, naturalmente, profundas
alterações nas dosagens dos hormônios relacionados. As
condições mais comuns se relacionam à interpretação de TSH e
hormônios tiroideanos na vigência do uso de tiroxina/
triiotironina. Infelizmente, as informações sobre o uso de
hormônios nem sempre estão disponíveis, até porque o próprio
paciente não sabe que algumas "fórmulas naturais" incluem
hormônios tiroideanos. Outra condição problemática é a dosagem
de cortisol em paciente em uso de glicocorticóide exógeno: se
o corticóide em uso é a hidrocortisona, os valores encontrados
podem ser bem elevados e sem valor diagnóstico; por outro lado,
no caso do corticóide exógeno não apresentar reatividade cruzada
no ensaio de cortisol (o que ocorre praticamente com todos os
outros medicamentos corticóides), os valores de cortisol serão
suprimidos.

A supressão parcial dos níveis de TSH pode ocorrer pelo
emprego de doses farmacológicas de corticóides (até mesmo as
flutuações dos níveis de cortisol em níveis fisiológicos podem
influenciar a secreção de TSH). Outra alteração que pode ocorrer
é a queda dos níveis de T4 total, livre e de rT3, com aumento de
T3, observados em pacientes com deficiência isolada de GH ao longo
dos primeiros meses de terapia com GH. Além dos efeitos diretos do
uso de gonadotrofinas (LH, FSH e hCG) no nível sérico das mesmas
(vários ensaios de LH apresentam reatividade cruzada com hCG), os
níveis de LH e FSH podem ser suprimidos com o uso de anabólicos
esteróides. Tal prática, cada vez mais comum, se acompanha nos
homens de níveis suprimidos de testosterona, e nas mulheres de
estradiol, simulando uma condição de hipogonadismo hipogonadotrófico.
Como a hemólise interfere nas dosagens hormonais?
Como regra geral, a hemólise, ao liberar o conteúdo eritrocitário,
transfere para o soro uma quantidade significativa de enzimas
proteolíticas, e assim as determinações potencialmente mais
susceptíveis são as dos hormônios peptídicos (insulina, glucagon,
PTH, ACTH, calcitonina, etc). No caso da insulina, a presença de
hemólise invalida a dosagem, levando a resultados falsamente baixos.
Não podemos nos esquecer que a hemólise leva a um aumento dos níveis de potássio sérico e isso impacta na avaliação de função adrenal.


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